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Exposição itinerante divulga Luiz Gonzaga no Sul do País PDF Imprimir E-mail

A exposição itinerante Tributo a Gonzagão: 60 anos de baião, idealizada pelo juazeirense Reginaldo Silva, vai mostrar uma variedade de objetos pessoais do cantor (Foto: Divulgação)
 
A exposição organizada pelo cearense Reginaldo Silva vai passar por Brasília e pelo estado de São Paulo.
Juazeiro do Norte. A Exposição itinerante “Tributo a Gonzagão: 60 anos de baião”, idealizada pelo juazeirense Reginaldo Silva, presidente da Fundação Vovô Januário, criada pelo cantor, percorrerá por 30 dias o estado de São Paulo e estará no Espaço do Trabalhador, no Congresso Nacional, em Brasília. Também será inaugurado um busto em homenagem ao cantor, a ser, possivelmente, colocado na Praça da Sé, no Centro paulistano.

O evento é da União Geral dos Trabalhadores (UGT), no Dia Internacional do Trabalho, como forma de homenagear o trabalhador brasileiro e nordestino. O busto, uma parceria da UGT com a Prefeitura de São Paulo, simbolizará bem essa homenagem. Contará também com a presença da família gonzagueana, a exemplo do cantor Daniel Gonzaga, neto de Gonzagão, a irmã do Rei do Baião, Chiquinha Gonzaga, que canta e toca sanfona de oito baixos, os sobrinhos Joquinha Gonzaga e Sérgio Gonzaga. Juntos, eles farão “Um Tributo a Gonzagão”.

A escolha, segundo Silva, que é radialista, é um reconhecimento importante e abre espaço para divulgação do centenário do Rei do Baião, a ser comemorado no dia 13 de dezembro de 2012, além dos 60 anos da música “Asa Branca”, que se configurou como um dos maiores sucessos do cantor, gravada em 1947 e sucesso em 1948.

A exposição, realizada há nove anos por várias cidades do Nordeste, agora irá ao Sul e conta com cerca de 300 objetos pessoais do cantor. De gibão de couro a chapéus, óculos, reportagens importantes sobre o cantor, fotografias, livros, artes plásticas, entre outros objetos do artista farão parte do acervo a ser disponibilizado.

Reginaldo foi amigo pessoal de Luiz Gonzaga e, somente 12 anos após sua morte, ele afirma que se deu conta do valor do material que tinha.

Hoje assume a única fundação criada pelo “Rei do Baião” e é um dos seus maiores divulgadores, o que chama de cultura gonzagueana. “Estreamos em Juazeiro do Norte e vim tomar pé do valor do que ele representava. Tinha um material de muita importância e não havia outras manifestações”, ressalta. Há outras pessoas também realizando esse trabalho.

Outros admiradores

Reginaldo destaca o humorista João Cláudio Moreno, a voz mais parecida com a de Luiz Gonzaga, e o professor Wilson Zelanie, do Piauí, além de Paulo Wanderley, que criou um site sobre o rei, o www.luizluagonzaga.com.br, considerado o mais completo sobre a vida do cantor.

Ele ressalta a importância da exposição por sair de Juazeiro para percorrer o País. Isso a partir de Brasília, com uma programação nacional, no dia 25, e em São Paulo, a partir do dia 30 de abril. A exposição itinerante irá percorrer diversos locais de São Paulo, num caminhão baú. Segundo Reginaldo, foram feitas algumas adaptações para isso.

Todos os deputados estão sendo convidados para participarem da abertura da exposição em Brasília e uma convidada especial, de acordo com Reginaldo, foi Luiza Erundina, que criou a lei instituindo o Dia Mundial do Forró, em 13 de dezembro, data de aniversário de Luiz Gonzaga. O presidente da Fundação lembra músicas do Rei do Baião que marcaram a vida do trabalhador brasileiro, como “Triste Partida” e versos como “Seu dotô uma esmola, a um homem que são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Essa, lembra ele, como marca de protesto, gravada no auge da seca, no ano de 1953. De acordo com Reginaldo, Luiz Gonzaga cantou e defendeu a classe trabalhadora.

Trajetória

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor popular. Aprendeu a ter gosto pela música ouvindo as apresentações de músicos nordestinos em feiras e em festas religiosas. Quando migrou para o sul, fez de tudo um pouco, inclusive tocar em bares de beira de cais. Mas foi exatamente aí que ouviu um cabra lhe dizer para começar a tocar aquelas músicas boas do distante Nordeste. Pensando nisso compôs dois chamegos: “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”. Sabendo que o rádio era o melhor vínculo de divulgação musical daquela época (corria o ano de 1941), resolveu participar do concurso de calouros de Ary Barroso onde solou sua música “Vira e Mexe” e ganhou o primeiro prêmio.

SAIBA MAIS

Nordestinidade
No decorrer destes vários anos, Luiz Gonzaga foi simbolizando o que melhor se tem da música nordestina. Ele foi o primeiro músico a assumir a nordestinidade representada pela sanfona e pelo chapéu de couro. Cantou as dores e os amores de um povo que ainda não tinha voz.

Carreira consolidada
Quando morreu no ano de 1989, o pernambucano tinha uma carreira consolidada e reconhecida. Ganhou o prêmio Shell de Música Popular em 1987 e tocou em Paris em 1985. O cantor foi também contratado pela emissora Nacional. Seu som agreste atravessou barreiras e foi reconhecido e apreciado por todo o povo e pela mídia. Mesmo tocando sanfona, instrumento tão pouco ilustre. Mesmo se vestindo como nordestino típico (como alguns o descreviam: roupas de bandido de Lampião). Talvez por isso tudo tenha chegado onde chegou.

Agradecimento
Luiz Gonzaga era a representação da alma de um povo. Era a alma do nordeste cantando sua história. E ele fez isso com simplicidade e dignidade. A música brasileira só tem que agradecer.

Mais informações:
E.D.S Estúdio
Avenida Dr. Floro, 130 - Centro/ Juazeiro do Norte-CE
Reginaldo Silva
(88) 3511.1207/ 9261.4222
Elizângela Santos
Repórter
 
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